De boate a restaurantes, moda dos contêineres chega a BH


Hangar 677, Olhos d'Água, e Food Park, no Santa Tereza, são exemplos de estabelecimentos montados dentro de uma grande caixa.

A expressão “fora da caixa” é sinônimo de estar além do preestabelecido, do senso comum. Ser criativo, deixar de lado os padrões. Bem, há algumas iniciativas em Belo Horizonte que preveem exatamente isso. Só que dentro da caixa. Literalmente.

Caminhando para seu segundo mês, o Container Food Park está localizado na interseção dos bairros Floresta e Santa Tereza (esquina de Rua Hermilo Alves com Avenida do Contorno). Para quem olha de fora, parece uma praça de alimentação de fast food, só que na rua. Mas não é nada disso.

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(Foto: Marcos Vieira/ EM.)

Longe dali, no Bairro Olhos d’Água, o Hangar 677 recebe amanhã várias apresentações numa festa de pré-carnaval. O cantor Buchecha e o bloco Me beija Que Eu Sou Pagodeiro são as principais atrações.

O que os dois espaços têm em comum? Foram construídos nos chamados contêineres marítimos, usados no transporte de grandes cargas. Recuperados, tratados e customizados, eles abrigam cozinha, pista de dança, banheiro, bilheteria e restaurante.

O Food Park de BH é, de acordo com o sócio-diretor Rayone Muller, “o primeiro complexo gastronômico de contêiner marítimo da América Latina”. Mesmo oferecendo culinária diversa – oriental, grelhados, massas –, tem administração única (e a conta também). Ou seja, num grupo de amigos, um pode comer combinado de sushis, o outro uma pizza e o terceiro um espetinho.

São nove os contêineres do Food Park – de 20 e 40 pés –, ocupando área de 500 metros quadrados onde havia um posto de gasolina desativado. Foi um mês para preparar o terreno e 48 horas para montar os contêineres (a maioria deles veio da China). “O espaço poderia ser de madeira ou de alvenaria, mas é de aço. A diferença é que posso desmontar tudo em 48 horas. Ou seja, desmobilizo sem perder o investimento”, comenta Muller.

E há, claro, o atrativo da diferença. Desde a inauguração, as filas são constantes no local, que comporta 250 pessoas em mesas – dentro dos contêineres ou a céu aberto. Ao fundo, há uma área que vai receber o telão. Como a iniciativa é recente, novidades estão previstas para os próximos meses. Até o fim de fevereiro, será lançada uma cervejaria artesanal (em parceria com a Krug Bier). Chope e cervejas serão produzidas no próprio local – num contêiner, óbvio.

Já pensando no futuro, Muller afirma que o projeto inclui outros quatro food parks: um na Pampulha (o mais adiantado ocupará 2 mil metros quadrados) e outros em Nova Lima, Contagem e na Região Centro-Sul de BH.

“Não é boteco, não é bar. É restaurante”, faz questão de reforçar Muller. No comando das cozinhas está Allan Fré, chef paulista radicado há dois anos em BH, que ficou conhecido pelo reality The taste Brasil, do canal pago GNT. Toda a produção, conta Fré, é realizada no local: massas, molhos e temperos. Cada especialidade é preparada em um contêiner.

O Spetto oferece tanto os famigerados espetinhos quanto os chamados desespetados (grelhados com acompanhamentos). Há também sanduíches (como o choripan argentino, de pão e linguiça) e hambúrgueres (produzidos ali). Un Taglio é a parte italiana, que reúne pizzas, pastas, risotos e sanduíches.

Na oriental Yak-mi, há do tradicional sushi bar a pratos de influência chinesa, tailandesa e peruana. Um dos orgulhos de Fré é o fogão de alta pressão – “muito restaurante oriental não tem um desses”–, que prepara em fogo muito alto (atração do local) os pratos quentes em não mais de dois minutos.

LEGO

Montado numa área de 30 mil metros quadrados (o que inclui o estacionamento), o Hangar funciona em 30 contêineres de diferentes tamanhos. “A ideia veio porque queríamos uma casa modular para que pudéssemos itinerar, se fosse o caso”, conta Léo Ziller, sócio do empreendimento.

O caminhão munck (feito para movimentar grandes cargas) pode mudar a configuração da casa (como um Lego) em até duas horas. Os eventos podem receber de 500 a quatro mil pessoas. O espaço é tão grande que comporta, como decoração, um avião antigo. “A gente queria fazer uma casa noturna que tivesse pegada industrial”, acrescenta Ziller.

Outra razão para optar pelo contêiner foi a facilidade. “Ele não é tão mais barato, mas é muito mais rápido de montar.” Em tempos de preocupação ambiental, há outra questão. “Os contêineres já foram utilizados (para carregar carga). Sua vida útil é pequena, pois viajam expostos à maresia. Então, a reutilização tem ainda o lado do engajamento ecológico”, completa Ziller.

Prestes a completar um ano, o Hangar está com a programação para os próximos meses já bem adiantada. A casa vai funcionar durante o carnaval. Depois, as principais atrações são Henrique e Juliano (março) e Fatboy Slim (abril). Para maio, há negociação para um show d’O Rappa.

DE CURITIBA PARA MINAS
Rede de restaurantes especializada em carne criada em Curitiba, a Madero, com 84 unidades no país, tem três modelos de casas. A que mais cresce é a Madero Container, voltada para sanduíches. Já funcionam 50 – e 24 serão abertas este ano. BH, ainda neste semestre, vai ganhar o Madero Container, na Cidade Administrativa. As vantagens são grandes, diz Júnior Durski, presidente da rede. O custo de implantação é um terço do necessário para um restaurante tradicional. “A vida útil do contêiner passa de oito para 100 anos, com menor impacto na geração de resíduos. Além disso, o restaurante tradicional leva, em média, quatro meses para ficar pronto, enquanto o projeto do contêiner exige apenas 21 dias para ser executado”, diz ele.

HANGAR 677
Rua Henriqueto Cardinalli, 121, Olhos d’Água, (31) 98375-4115. Amanhã, a partir das 16h, aquecimento para o Baile do Secreto, com Buchecha, bloco Me Beija Que Sou Pagodeiro e DJs. Ingressos: R$ 50.

CONTAINER FOOD PARK
Rua Hermilo Alves, 20, Santa Tereza, (31) 2515-6292. De hoje a domingo, das 18h à 0h. A partir do dia 14, o espaço passa a funcionar de terça-feira a domingo, das 11h às 15h e das 17h à 0h.

 

Fonte: Uai notícia

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